Entenda os critérios e como é feito o levantamento de todas as edições do rali
Tecnologia permite que hoje o trabalho seja feito em cerca de duas semanas

Difícil pensar em como era viver sem internet? Agora, imagine o desafio de fazer a rota de um dos maiores ralis do mundo sem a ajuda de GPS e do Google Earth. Era com o auxílio de mapas rodoviários impressos e a indicação de moradores que a equipe técnica do Rally dos Sertões levantava o trajeto nas primeiras edições da competição que completa 25 anos em 2017.

Registro do levantamento do Rally dos Sertões de 2006. Poucos equipamentos digitais e muitas anotações no papel (Foto: Arquivo pessoal)
Registro do levantamento do Rally dos Sertões de 2006. Poucos equipamentos digitais e muitas anotações no papel (Foto: Arquivo pessoal)

“A gente ia pedindo referências pelo caminho e tinha que ir somando quilômetro por quilômetro pra ter ideia da distância total”, lembra rindo Du Sachs, diretor técnico do Rally dos Sertões, que está à frente dessa missão há 17 anos. “Depois evoluímos e passamos a contar com a ajuda de aviões para escolhermos o percurso, mesmo assim chegávamos a ficar oito horas sobrevoando a região de interesse”.

Auxílio de GPS e Google Earth diminuíram o prazo de levamento da trajetória de 6 meses para 2 semanas (Foto: Arquivo pessoal)
Auxílio de GPS e Google Earth diminuíram o prazo de levamento da trajetória de 6 meses para 2 semanas (Foto: Arquivo pessoal)

Hoje, tanta tecnologia permite que o trabalho que durava em média seis meses seja feito em praticamente duas semanas, da escolha do roteiro até a conferência por terra. “Fazemos o rali antes do rali”, explica Du Sachs, que também é responsável pela planilha, espécie de mapa usado pelos competidores. “Agora conseguimos completar o trajeto em sete dias, como acontece na prova oficial, mas antes isso era impossível. Sempre tinha alguma surpresa pelo caminho que obrigava a gente a voltar e depois tentar de novo até concluir o trajeto”.

Organizadores fazem uma prévia do rali por terra há 15 anos a bordo dessa picape toda equipada, mas nem sempre foi assim (Foto: Arquivo pessoal/ Divulgação)
Organizadores fazem uma prévia do rali por terra há 15 anos a bordo dessa picape toda equipada, mas nem sempre foi assim (Foto: Arquivo pessoal/ Divulgação)

A escolha das trilhas do rali é minuciosa. Tanto que a equipe técnica costuma rodar de cinco a seis vezes mais do que o roteiro oficial. Para a edição deste ano foram necessários 18 mil quilômetros de viagem para definir os poucos mais de 3.300 km da prova. “Primeiro escolhemos o ponto de partida e chegada. Depois, quais serão as cidades dormitórios, que servirão de base para os competidores. Só então passamos a pesquisar como ligaremos um ponto ao outro”, afirma o diretor. O critério? “Tem que ser difícil, de paisagem bonita e estradas com pouco ou sem nenhum movimento. E esse é o desafio”.

Serão oito cidades pelos Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso Sul (Foto: Divulgação/Rally dos Sertões)
Serão oito cidades pelos Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso Sul (Foto: Divulgação/Rally dos Sertões)

Na edição deste ano o Rally dos Sertões parte de Goiânia (GO) e atravessa as cidades de Goianésia (GO), Santa Terezinha de Goiás (GO), Aruanã (GO), Barra do Garças (MT), Coxim (MS), Aquidauana (MS) até a chegada na cidade de Bonito (MS), inédita para o rali. “É um lugar paradisíaco, uma recompensa pra quem conseguir completar a prova”.

De acordo com Du Sachs, ao longo de todos esses anos cruzando o Brasil foi possível enxergar também um progresso do País. “É bacana ver em alguns vilarejos que eram feitos de casas improvisadas hoje as famílias desfrutarem de um ponto de luz, de uma geladeira”, conta. “E por mais que a gente rode, tem muito ainda a conhecer. Nunca repetimos o roteiro. A cidade pode até ser a mesma, mas o caminho será outro com certeza”.

Du Sachs é o diretor técnico do Rally dos Sertões e também responsável pelas planilhas, uma espécie de mapa usado pelos competidores (Foto: Arquivo pessoal/ Sanderson Pereira)
Du Sachs é o diretor técnico do Rally dos Sertões e também responsável pelas planilhas, uma espécie de mapa usado pelos competidores (Foto: Arquivo pessoal/ Sanderson Pereira)

Enquanto os participantes se divertem, a equipe já está trabalhando para 2018. “Toda vez que termina um rali penso se vamos conseguir fazer um roteiro melhor no ano seguinte. E acho que estamos numa boa crescente”, diz o diretor técnico. “Já temos o planejamento do roteiro do ano que vem. Acabando a prova desse ano, vamos concentrar nossa energia na próxima edição”.

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