Na disputa contra o desgaste físico, objetivo principal é que o corpo não “quebre”
Etapas especiais chegam a durar 8 horas em alta velocidade por erosões e precipícios

 

Em um rali, veículos e competidores são uma peça só. Essa é a definição do piloto Marco Antônio Pereira sobre a relação com a sua moto. “As rodas são as minhas mãos e os meus pés, mas muito mais difícil de controlar”, ri o piloto da Zema Rally Team, que acumula 14 fraturas em quase 20 anos percorrendo trilhas por todo o Brasil e por alguns dos lugares mais inóspitos do mundo, como Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

Marco Antônio Pereira tem mais de duas décadas de trilhas pelo Brasil e pelo mundo (Foto: Jonne Roriz/ Zema Rally Team)
Marco Antônio Pereira tem mais de duas décadas de trilhas pelo Brasil e pelo mundo (Foto: Jonne Roriz/ Zema Rally Team)

O pior inimigo dos participantes de provas off-road de longa duração, como o Rally dos Sertões, é o cansaço. “A gente é que tem que mandar na máquina, não ela na gente”, afirma Marco. “Quando a moto começa a fazer o que quer é sinal que o corpo já não aguenta mais e aí que está o perigo”. Em 2015, Marco teve que abandonar os Sertões no meio da competição após fraturar a mão. “Mesmo assim rodei mais de 40 quilômetros para terminar a etapa e consegui uma boa colocação, por isso prefiro que eu quebre do que a moto”.

Mão do piloto Marco quebrou no Rally dos Sertões de 2015, mesmo assim piloto chegou em sétimo lugar de 21 competidores (Foto: Arquivo Pessoal)
Mão do Marco quebrou na edição de 2015, mesmo assim piloto cravou um sétimo lugar entre 21 competidores (Foto: Arquivo Pessoal)

Os atuais campeões entre os carros do Rally dos Sertões, o piloto Cristian Baumgart e o navegador Beco Andreotti, da equipe X-Rally Team, dividem também a mesma opinião: o carro aguenta mais pancada do que o corpo. “Quem determina o limite somos nós, o problema é que a gente não sabe qual é o nosso limite”, brinca Cristian. “Antigamente precisávamos poupar o carro, hoje não precisamos mais e aí já viu!”, completa Beco.  Os dois disputam na categoria FIA-T1 com modelos que são preparados para os ralis mais duros do mundo, como o Rally Dakar.

Carros da categoria FIA-T1 são preparados para os ralis mais duros do mundo (Foto: Victor Eleutério/ X-Rally Team
Carros da categoria FIA-T1 são preparados para os ralis mais duros do mundo (Foto: Victor Eleutério/ X-Rally Team)

Nos trechos cronometrados, também chamados de especiais, os competidores ficam entre 2 e 8 horas correndo em veículos que chegam a quebrar a barreira dos 200 km/h por penhascos, erosões, matas fechadas e terrenos com muitos buracos. “O desgaste físico é muito grande. Coração vai parar no pescoço, o estômago vai lá para o pé. Balança tudo”, afirma Cristian. “A gente transpira tanto durante a especial que não dá vontade nem de urinar”, conta o piloto.

O navegador Beco Andreotti carrega o exausto Cristian Baumgart na comemoração pelo título em 2016 (Foto: Victor Eleutério/ X-Rally Team)
O navegador Beco Andreotti carrega o exausto Cristian Baumgart na comemoração pelo título em 2016 (Foto: Victor Eleutério/ X-Rally Team)

Achou pesado? Imagine para quem vai de moto. “A suspensão é preparada para ser mais macia, o punho da moto também para evitar calejar demais as mãos, mesmo assim é dureza. Temos que saber a hora de acelerar e a hora de poupar o nosso corpo e a moto”, diz Marco Pereira. “Já fundi muito motor acelerando demais. Hoje sei quando tenho que aliviar e essa é uma vantagem de quem tem mais experiência, senão nenhum dos dois chega a lugar algum”.

Motos e quadris expõem mais o corpo. Posição em pé e ausência de gaiola deixam rali ainda mais duro (Foto: Victor Eleutério/ Zema Rally Team)
Motos e quadris expõem mais o corpo. Posição em pé e ausência de gaiola deixam rali ainda mais duro (Foto: Victor Eleutério/ Zema Rally Team)

Todos os 151 veículos que formarão a caravana do Rally dos Sertões 2017, largam neste final de semana em Goiânia (GO) com objetivo de terminarem a prova em Bonito (MS). A primeira moto parte 5h, de domingo, 20. Depois é a vez dos quadriciclos, na sequências os UTVs e, por último, os carros aceleram.

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Pise fundo com a Zema Rally Team na cobertura do Rally dos Sertões 2017. Acompanha as novidades e as curiosidades da competição no blog e na página oficial do Facebook.

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