Quando um carro de F-1 quebra, o piloto desce do cockpit e, na pior das hipóteses, anda algumas centenas de metros até chegar aos boxes. Mas no rali é diferente… Quando um veículo tem problemas, o piloto geralmente está a dezenas ou até centenas de quilômetros da linha de chegada, onde fica a equipe de apoio. Essa peculiaridade da categoria fez nascer o “espírito do rali”, no qual os adversários se tornam companheiros nos momentos de dificuldade.

O piloto Marco Antônio Pereira, da Zema Rally Team, sentiu de perto toda a força de solidariedade após a quebra da moto no meio da Especial de 240 quilômetros, no último dia do Rally dos Sertões 2017.

Mesmo com a quebra, o piloto Marco Antônio Pereira ficou com o segundo lugar na categoria nos Sertões 2017 e ainda levou o Campeonato Brasileiro desse ano pra casa (Foto: Divulgação/ Zema Rally Team)
Mesmo com a quebra, o piloto Marco Antônio Pereira ficou com o segundo lugar na categoria nos Sertões 2017 e ainda levou o Campeonato Brasileiro desse ano pra casa (Foto: Divulgação/ Zema Rally Team

“Estava liderando a prova (categoria Production) com uma diferença confortável e tinha tudo para garantir o título, mas o motor quebrou. A generosidade de dois pilotos amenizou um pouco da minha tristeza. Primeiro o Tulio Malta me rebocou até o abastecimento e depois o Danilo Gomes me puxou por 140 quilômetros, abrindo mão do prazer de correr a Especial e se arriscando por terrenos tão ruins. Inclusive, levamos dois tombos feios até a linha de chegada”, lembra o piloto.

A prática é comum entre os competidores de rali, principalmente entre os pilotos de moto. “Nós estamos expostos a grandes riscos e sempre nos ajudamos como se fôssemos uma família. Foi muito emocionante ver todo mundo do ponto de abastecimento nos aplaudindo, quando o Danilo saiu me rebocando. É uma sensação reconfortante, que nunca vou esquecer”, disse. “Só quem está lá dentro sabe o quanto é difícil e não pensa duas vezes em ajudar”.

Depois que o rali terminou, Marco teve mais algumas boas surpresas. Várias mensagens parabenizando o piloto da Zema Rally Team pela prova que estava fazendo. Havia muito mais gente pela sua torcida do que ele imaginava. Entre eles, Mario Marchiori, que esperou 25 anos para participar de uma edição do Rally dos Sertões e na chegada da última especial se emociona ao dizer que o Marquinho (Marco Antônio Pereira) tinha ficado para trás.  “É muito gratificante mesmo esse tipo de reação, por isso nunca pensei em parar de fazer rali. É uma família”.

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