Aventuras leves podem ser encaradas com um carro de passeio, mas utilizar o veículo de forma correta e, sem riscos, exige preparo. A primeira recomendação é identificar se o 4X2 atende ou não o trajeto que será explorado, já que ele possui algumas limitações.

De acordo com o instrutor de off-road, Luis Fernando Carqueijo, estão fora de cogitação situações de baixa aderência – como trilhas com barro e atoleiros -, subidas e descidas muito íngremes e obstáculos como grandes pedras e erosões.

“Ainda assim, trechos não pavimentados podem ser bem encarados com veículos 4×2. Se o seu veículo for mais moderno e tiver controle de tração, o sistema que sabe distribuir a tração entre as rodas, tem uma vantagem”, explica o especialista. “Toda essa análise também é importante se você tem um veículo 4×4, pois, algumas trilhas podem ser impossíveis para veículos em condições originais, mesmo com tração nas quatro rodas”.

Primeiro cuidado é identificar se não há erosões, trechos alagados ou de pouca aderência (Foto: Milene Rios/Divulgação)
Primeiro cuidado é identificar se não há erosões, trechos alagados ou de pouca aderência (Foto: Milene Rios/Divulgação)

Para o uso off-road de carros de passeio é preciso conhecer outras especificações que normalmente não são relevantes no uso urbano, como a altura livre do solo (que é a distância que o carro tem do chão), ângulos de ataque, saída e central (para superar obstáculos à frente sem bater os para-choques ou ficar preso por baixo), a capacidade de imersão (que é a profundidade máxima que ele pode mergulhar) e de inclinação lateral e frontal (para evitar tombamentos).

“Conhecer o potencial do veículo é condição essencial para não entrar em roubadas”, explica Carqueijo. “As informações, normalmente, são encontradas no manual do veículo ou nos sites. Muitas vezes sites especializados possuem informações mais detalhadas do que os da fabricantes”.

Informações na mão, é hora de partir para o ataque. A Zema Rally Team separou os casos mais comuns e o instrutor de off-road explica o que fazer em cada um deles. Confira as dicas!

É preciso também conhecer outras características do carro, como ângulo de inclinação lateral (Foto: Milene Rios/Divulgação)
É preciso também conhecer outras características do carro, como ângulo de inclinação lateral (Foto: Milene Rios/Divulgação)

Encontrei um obstáculo bem à frente do veículo que não dá para desviar. E aí?
Em off-road a primeira coisa a se fazer – sempre – é analisar a situação do obstáculo: aderência, irregularidade do piso e riscos envolvidos (o que pode acontecer caso não dê certo?). Se achar impossível vencer o obstáculo com segurança, a melhor decisão é voltar para trás (risos). Cada obstáculo e tipo de piso requer uma técnica diferente. No caso de uma pedra, por exemplo, que o carro pode raspar o para-choque, o ideal é enfrentá-la de lateral. Se a única saída for seguir em frente, posicione as rodas nas partes mais altas para preservar o meio do carro que é a parte mais vulnerável, onde encontram-se o motor e o diferencial.

Precisei subir em um barranco com a lateral do carro e ele inclinou…O que eu tenho que fazer? Pra qual lado giro o volante?
Inclinações laterais sempre são complicadas e perigosas, quando muito acentuadas. De forma geral, se o veículo está inclinado e a inclinação está dentro da capacidade máxima do veículo, a melhor dica é prosseguir devagar e, se por acaso sentir o veículo tendendo a tombar, vire o volante para o lado mais baixo e tente minimizar a inclinação. Muitas vezes, com a velocidade correta e o golpe do volante certo, pode-se até mesmo evitar uma situação de capotagem eminente (veja o vídeo).

Uma descida muito íngreme? Pé no freio? Na embreagem? O que faço?
Normalmente, em descidas íngremes usamos a força do freio motor para segurar o veículo. Como veículo 4×2 não possuem, via de regra, uma primeira marcha muito reduzida, será preciso utilizar o freio também para controlar a velocidade. Mas é importante não frear demais, pois, isso tende a fazer o veículo escorregar. Se a traseira escorregar, a dica é dar leves toques no acelerador para retomar o controle. À vezes, apenas liberando um pouco mais o freio já será suficiente para corrigir a trajetória. Não utilize a embreagem e mantenha o veículo sempre engrenado.

E se for uma subida?
Em subidas o importante será ter desde o início o embalo e a velocidade correta para chegar ao final, já que o sistema de tração 4×2 não conseguirá atuar com eficiência para aumentar a velocidade durante a subida.

Perdi a tração de uma das rodas…e agora?
Em um sistema de tração 4×2 perder a tração em uma das rodas leva o veículo à imobilidade, principalmente, se ele não é dotado de controle de tração. Nesses casos, apenas conseguindo devolver aderência nessa roda é que você vai conseguir tração, ou seja, coloque pedras, tábuas, folhas e o que mais puder encontrar. Outra alternativa é voltar e ganhar mais embalo para, tentar vencer esse momento sem tração. Isso funciona, por exemplo, em erosões (quando pequenas), você aumenta o embalo e a inércia faz o veículo passar pelo buraco e chegar do outro lado.

E se encontrar água? Como posso identificar se dá ou não pra atravessar?
É preciso conhecer a capacidade máxima (profundidade) que seu veículo pode atravessar. Se a travessia for mais profunda do que isso, não vá pois é certeza de problemas. Verificar a profundidade de um alagado só se pode fazer com certeza se você trafegar a pé por ele. Algumas vezes é possível checar com um “varão” (tipo um galho de árvore, por exemplo) que se pode “espetar” até o fundo para ver a profundidade e, também, se a base é firme ou não.

E não esqueça de levar, no mínimo, uma cinta de reboque, lanterna, capa de chuva, troca de roupa seca, água e comida. “A gente consegue marcar o dia e hora de ir pra trilha, mas nunca tem certeza absoluta de quando vai conseguir voltar (risos)”.

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